segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

A fantasia da luta

O mercado de militantes profissionais em busca de cargos comissionados via processo eleitoral é um dos fatores desmobilizadores da luta por democracia neste momento. A "luta" virou emprego. A "luta" virou mercado de trabalho. Desobediência civil é algo muito arriscado, mesmo para "salvar" a pele do "salvador". Desobediência civil não é rentável. A luta concorrencial de pequenas mãos a serviço do sistema de dominação é o que se chama hoje de "militância". Militar é desejar ser absorvido por governos da oligarquia e do capital. Para isso, precisam de muitas fantasias. É um carnaval desagradável. As fantasias da "luta".

O fim do PT

As políticas públicas (compensatórias e subvencionadas) como meios de fantasia coletiva do desejo do consumir como "classe média" pulverizaram a presença das classes trabalhadoras na estrutura política do Estado. Não há mais necessidade de líderes políticos falando em nome delas para mediar conflitos entre capital e trabalho. Tornou-se uma questão privada. O liberalismo social dos governos do PT deu um tiro no próprio pé. Estimulou uma situação que agravou a crise de sua própria representatividade. O abandono do trabalhismo e do republicanismo social democrático deu carta branca para o avanço do fim do PT.

O valor do voto no BR hoje

"Por detrás das cédulas de votação está o pavimento das ruas" (Marx). Não é sem Lula que faz da eleição uma fraude, mas, sim, sem Rua! E, de 2013 em diante, os governos do PT foram os agentes de criminalização e esvaziamento das lutas de rua. Agora, precisam de rua, mas a rua foi tolhida. Retomar a rua apenar para manter uma eleição sem rua é o que vai esvaziar a rua mais ainda. Os higienistas da ex-querda, como facção "vermelha" do Partido da Ordem, criaram um pavor ao Partido da Anarquia. A Rua é mais importante do que Lula. Ter sacrificado a Rua vai custar prisão de Lula e desmobilização popular. Nem os filiados do PT vão às ruas. Só um punhado, menos de dez por cento e olhe lá. Os filiados estão nos governos das oligarquias estaduais, trabalhando para os conservadores.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Julgadores julgados

Não sou lulista, nem petista. Penso que o PT foi cúmplice, juntamente com o PSDB e o PMDB, do sistema de corrupção inerente ao Estado. Mas, agora, vou me posicionar. Estou achando ridículo esse julgamento. Um julgamento medíocre, claramente moralista, julgamento seletivo, que deixa o sistema político corrupto intacto. Estão usando o Lula, em quem não confio, como bode expiatório para anular a possibilidade de continuidade de sua liderança política. É um julgamento cujo réu teria que ser o próprio sistema político (e seus operadores do PT, do PSDB e do PMDB e dos outros partidos). Estão querendo neutralizar o Lula pelo PT ter funcionado com "competência política" num sistema de corrupção que não inventou, mas que reafirmou por sua participação. É um julgamento moralista e político. As falas dos procuradores são medíocres. Chegam a ser idiotas. Vão condenar o Lula para deixar o sistema corrupto intacto, funcionando a favor dos políticos que eles defendem. Uma grande farsa. Inaceitável. Sou, politicamente, contra o Lula, contra o PT e contra esse julgamento imbecil. Que teatro fraco! Sem estatura nenhuma. Sistema falido. Não vai ter voto. Vai ter rua. Revolta é o sentimento do momento. Até para quem não identifica Lula e a democracia. Essa retórica também fraudulenta. Os fraudulentos julgam os fraudulentos. Só que os que julgam são mais fortes e poderosos. Estão recusando a subserviência e domesticidade dos julgados. Há um equilíbrio entre os poderes da República, um equilíbrio que chafurda na mediocridade e na hipocrisia.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Radicalismo egoico

Entendi que manter politicamente uma atitude de radicalismo de classe média, como sempre fiz, virou um lance totalmente anacrônico. Uma coisa datada. Não vou abandonar a perspectiva de uma crítica radical, mas vou rever meu radicalismo libertário de classe média. Só serve para meus motivos egoicos. Para as lutas políticas contemporâneas, parece fora de propósito. Um tipo de robisonada. Mas não sei o que fazer. Vou ficar escutando o que as pessoas têm a dizer. Tentar aprender algo de novo através da escuta ativa.

economicismos perigosos

Houve também formação de "nova classe média" durante a ditadura civil-militar, assim como expansão do ensino superior privado e público, o que não quer dizer que tenha sido na mesma escala e com os mesmos padrões, mas houve. Isso não é critério para defender tal ou qual governo. Defesas economicistas de governos (sejam quais forem) são perigosíssimas.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Contra a representação

Acho muito legal ler cada vez mais postagens que criticam a representação política. Reflexões que apontam para uma necessidade política de superação das formas de mediação que geram hierarquias e promovem mais desigualdades do que modos de luta contra as hierarquias do sistema do capital, do racismo e da desigualdade de gênero. As coletividades em luta e de luta não serão mais as mesmas se rechaçarem tais mecanismos de mediação que passam pela forma-igreja, forma-partido, forma-sindicato e forma-estado. Estas formas fazem parte do problema e não da solução, que exige novas regras e novos modos de criar regras, que não estejam sujeitos ao sistema de dominação e exploração do Estado de polícia atual. Não desejar ser porta-voz e nem desejar ter porta-voz são nossos melhores sonhos coletivos, pois não custa lembrar que nossos piores pesadelos são os sonhos do Estado policial, racista, sexista e capitalista.