quinta-feira, 5 de julho de 2018

Nova antiga servidão

Se continuar nesse rumo, irão nos obrigar a trabalhar diretamente por comida, sem salários, como fizeram nos campos de trabalhos forçados no século XX mundo afora. O mundo adventício será de "não trabalhadores assalariados"? Um retorno à servidão não assalariada? Os próximos 500 anos serão de um profundo mergulho no retorno da servidão nos moldes antigos?

sábado, 30 de junho de 2018

Pensamentos obstinados sobre a subalternidade

O que há de mais agressivo no âmbito de uma organização pública ou privada é o sujeito que está buscando construir uma carreira. Os construidores de carreira sempre foram os sujeitos mais violentos do sistema. Mas agora não há mais carreira nenhuma. O neoliberalismo nesse ponto é "liberador". Uma vez o trabalhador exemplar dedurou duas trabalhadoras por estarem almoçando numa sala onde não tinham permissão de estar. Elas foram punidas. Só que o dedo-duro foi pego dormindo numa sala onde não tinha permissão de sequer estar. Mas ele era homem, não foi punido. Uma coisa que me intriga na organização é perceber como o homem que grita e o homem que assedia são celebrados pela comunidade da instituição. Pois o homem que grita e que assedia costuma ser simpático, gente boa, boa praça, legal, no dia a dia. O indivíduo que foi rebelde num contexto se tornou extremamente subalterno em outro. Foi rebelde onde havia margem para isso, mesmo que pequena, apesar de não perceber assim, virou subalterno no lugar classificado como "alternativo", no lugar dos sonhos. O alternativo é ouro de tolo, em geral. Indivíduos já excluídos tendem a abraçar uma justificativa plausível para sua exclusão. Tendem a procurar justificativas que diminuem a culpabilização, a responsabilização e o peso sobre suas costas lançados pelo sistema. O peso é muito grande. Não dá para aguentar. Melhor capitular sem demonstrar isso para si mesmo. A metafísica do conflito é complementar à metafísica da ordem. Os mais ordeiros escolhem o caminho do conflito. Os excluídos da ordem escolhem o que não possuem, a ordem. A modernidade se alimenta dessas duas metafísicas da ação. As duas confluem formando a metafísica da subjetividade. Muita metafísica nesse mundo pós-metafísico. As pessoas levam um tempo para descobrir que caíram na armadilha da subalternidade. Trabalhar para ser subalterno é a forma suprema do trabalho alienado. Um trabalho que abraça a subalternidade. Sim, é um troço muito triste. É preciso romper com essas cadeias de subordinação. Romper com o sorriso e o abraço dos superiores. O bom dia do Senhor é o açoite. Assim, governam. Não entendem que muitos de nós já fomos subalternizados antes e que os efeitos foram sempre deletérios, destruidores e massacrantes. Não vale a pena ser remunerado com o sorriso do Senhor. É melhor recusar o lugar da servidão bem reconhecida pelo Senhor. Correr por fora. Sair fora. Fazer outras coisas. Recusar a mediação.

sábado, 16 de junho de 2018

Ah, o liberalismo!

Quando a gente vai analisar sociologicamente as bases do estilo de vida de um liberal no BR, a gente descobre que o defensor do auto-interesse em regime de alta competição no mercado é, na verdade, ou um dominante no sentido tradicional, dependente da economia patrimonial e do Estado ou um trabalhador precarizado e "empreendedor", ou seja, ambos vivenciam o liberalismo no plano da fantasia, são fortemente dependentes de mecanismos sociológicos não liberais, paternalistas, clientelistas e patrimonialistas. São a cara do "atraso" na radiografia, mas que postam um sorriso liberal na foto 3X4. São uma ruma! Seja em SP ou no CE. Liberal de fachada. Liberal para inglês ver. Dependentes da economia de renda e patrimônio, mas, ideologicamente, defensores ardorosos da economia da troca. O mito do mercado livre chega no BR no momento que o liberalismo foi enterrado no mundo todo. Que merda, hein?! Até o "socialismo" aqui é um tipo de liberalismo social.

Erraram o alvo?

Ser omisso, e até incentivar, quando a polícia atua como "matadora" na favela, mas ficar indignado quando a máquina de matar destinada ao extermínio dos classificados como matáveis nas periferias atinge, por acaso, os que são classificados como não matáveis das classes médias urbanas dos bairros "nobres", é, na verdade, ser cúmplice do Estado que mata. Tanto nas camadas populares como nas classes médias, o discurso prevalecente é de que ao matar o não matável a máquina "matou um inocente", de que a máquina de matar do Estado "errou" o alvo, perdeu o controle da ação, atuou no cenário do "cidadão de bem" como se estivesse no território da "bandidagem". As mortes ocasionais de indivíduos de classe média por intervenção policial, que são relatadas como "caso isolado", "erro", nesses casos raros de matança indiscriminada, são naturalizadas como mortes "naturais" quando são aplicadas sistematicamente nas periferias, de modo não ocasional, eliminando jovens das camadas populares com apoio amplo de segmentos populares e de classe média da população, são chamadas de "políticas de segurança pública" pelos governantes. São chamadas de "combates" ao crime. Uma sociedade autoritária tem de aceitar calada, quando apoia o autoritarismo, quando ocorre "dano colateral" contra quem não é o "alvo" da violência institucional e estrutural do Estado. A luta pela garantia do direito não pode ser seletiva. A luta contra polícia-matadora não pode ser apenas quando a máquina "erra" o "alvo". Isso é barbárie! Inaceitável que se conceba desse modo tosco as coisas."

Uma nova crítica política da Copa

Pela primeira vez no BR, vejo várias agências procurando demonstrar que temos o dever de gostar da Copa. Quando isso acontece, de ter de haver controle direto do discurso, estímulo ao desejo de algo, é que algo se quebrou. Alguma espontaneidade foi perdida. Nunca houve isso de ter que convencer o povo a aderir à Copa. Isso é inédito. A adesão massiva sempre foi automática e apaixonada, ao mesmo tempo. Ter de bombardear um "deseje a copa" é sintomático. E as pesquisas de opinião sobre a não adesão subjetiva estão aí também, circulando. E muita gente está nervosa com isso. O discurso contra a Copa, desta vez, não está vindo das elites, nem das classes médias letradas, isso está passando despercebido para muita gente. São indivíduos das camadas populares que estão criticando, dizendo que o futebol foi vetado aos pobres, que deixou de ser a paixão do pobre. Foi esse o detalhe que mais me chamou a atenção. Não é o discurso politizado da classe média letrada de esquerda que está pautando, nem de longe. É pessoal da periferia mesmo. É um "racha" de periferia. Tem gente que ama futebol criticando a Copa. A crítica que está circulando que mais me chamou a atenção aponta para outro lado. As elites e as classes médias altas estão super bem à vontade com e adaptadas para a Copa que foi feita sob medida para eles/elas. A associação entre futebol e paixão do pobre caducou no que tange à Copa. O futebol continua sendo uma paixão popular, mas a Copa não. Se minha leitura estiver no caminho certo, pode-se dizer que a crítica contra a Copa é uma crítica popular. Não é elitista. É contra o elitismo que representa a Copa, atualmente.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

O que é a boa vida?

Lutar contra opressões, contra explorações, desigualdades, sujeições, dominações, tiranias, autoritarismos, compulsões e tudo aquilo que faz o ser humano se sentir envergonhado e sem coragem de ser. A luta é para democratizar a boa vida para todos e todas. Mas o que é a boa vida? Eis a questão norteadora!

Quem financia?

Quem financia define? Alguma dúvida de que partidos da esquerda eleitoral são dominados por homens brancos de classe média? Lembro do líder do PSTU todo banhadinho, doutor com doutorado, limpinho, tomando um café na Livraria Cultura de pernas cruzadas, um típico burguês. Lembro da grande liderança do futuro do PSOL, à tarde, na Universidade, de chinela japonesa e roupas surradas, comendo no RU. De noite , lá num restaurante da burguesia, passado nos panos, daqueles lugares que a conta dá 300 reais para ele e a namorada. Do PT, nem falo. Seria mais complexo. Esquerdas eleitorais radicais atuam como máquinas do pequeno capital, dominado por homens de classe média com alto capital educacional que não moram nas periferias. Estou faltando com a verdade?