segunda-feira, 16 de abril de 2018

Esclarecer?

Quase tudo aquilo que a esquerda oficial pretende fazer com a direita, tentar esclarecer a direita sobre a verdade, pode também ser usado pela esquerda não oficial contra a esquerda oficial que age de modo muito semelhante com aqueles que critica como sendo de direita. Essa é a crise. Vamos unificar? Unificar sob a hegemonia da esquerda oficial? De novo? Penso que o momento é de retomar esquerdas de luta, esquerdas de base, esquerdas libertárias, esquerdas contra o desejo negativo de poder das esquerdas oficiais. A crise é da esquerda. Concordo com Wallerstein nesse ponto. A direita é apenas um efeito perverso da crise da esquerda. Não adianta transferir a culpa. Vamos assumir a responsabilidade histórica pelas decisões espúrias e perversas da esquerda oficial ou ficar com papo de vitimismo? E não adianta vir com o jogo do cinismo e da ironia, da tentativa de desqualificar quem critica à esquerda a esquerda oficial. Esse jogo é o jogo dos coxinhas e dos fascistas explícitos. Quer desqualificar para não entrar no debate? Tem lance mais de direita do que isso?

Entre fascismos e fascismos

Os fascismos de esquerda clamam por unificação sob a égide do Partido para fazer crer que os fascismos de direita são uma força aglutinadora para as esquerdas oficiais partidárias e seu desejo fascista de Estado. Os fascistas sempre apontam o fascismo como um atributo de uma forma absoluta de alteridade. Tentam esconder seus desejos fascistas ao acusar o fascismo como uma substância do Outro. Mas se organizam em torno do desejo do Outro, mobilizando seus desejos negativos de poder. Unificar é a senha do fascismo. Frentes amplas contra o fascismo em nome do Partido são o modo fascista de esconder o próprio fascismo.

A tarefa da crítica e a ruptura com os clichês

Não tenho nenhum desejo de que "meu representante" assuma a direção do Estado. Desejar a Autoridade de conduzir o Estado, essa vontade de poder do Partido. A tarefa da crítica sempre foi destruir mitos e não alimentá-los. O desafio é não disseminar clichês, é fazer o contramovimento.

Dirigentes da desigualdade

Qual o problema? São vários. São homens. São dirigentes. São vaidosos. São carreiristas. Acreditam que são bons moços. São brancos ou na pele deles. O bom mocismo é um problema horrível. Acham que apenas eles, ao assumir a Autoridade do Estado do Capital, poderão, devido a sua estatura moral e ética superior, dar novos rumos ao uso hegemônico que se faz do Estado. Como se a estrutura do Estado não fosse a de uma distribuição diferencial do capital e do poder.

Esquerda eleitoral e oficial e o sistema de opressões

A celebração do homem branco e rico como dirigente do Partido afundou a luta popular no seu pior. Esquerdas eleitorais sob a hegemonia de frações da classe dominante que fazem do Partido um modo de ocupar posições no campo do Estado oligárquico. A esquerda eleitoral deseja o Bom Patrão. O Patrão camarada. Nunca antes as retóricas radicais estiveram conforme à integração perversa dos Senhores. É triste ver a capitulação. A esquerda eleitoral com suas bases carnavalescas de subordinados ao Estado do Capital, via Partido, via Patrão branco bom, homens brancos altos e bem alimentados da alta sociedade sendo celebrados como dirigentes do "Povo". E homens brancos das camadas populares sendo gerentes desses dirigentes. A estrutura da esquerda oficial e eleitoral é a estrutura da opressão do racismo e da desigualdade de gênero. É o mecanismo de neutralização da revolta e recusa ativas contra o Estado do capital.

Sob a hegemonia dos dominantes

Os homens brancos e ricos que são os dirigentes do Partido não estão nas praças com seus subordinados. Os subordinados usam retóricas radicais enquanto seus patrões do Partido jantam nos melhores restaurantes da burguesia. Militam sob ordens de burgueses oligarcas . Homens brancos das cúpulas. Massa de manobra de partidos dirigidos por frações da burguesia, que faz descarrego emocional da subalternidade, reforçando no ato de descarrego a própria situação de subalternidade. Onde estão as lutas independentes das estruturas de mando oligárquicas dos homens brancos e ricos que dominam a "esquerda" eleitoral?

domingo, 15 de abril de 2018

PT é contra Lula, mas é claro!

Lula preso e cúpulas do PT nos restaurantes da burguesia. A vida segue. Lula preso e militâncias do PT nos cabides das oligarquias em aliança com PMDB. As cúpulas do PT estão interessadas é em saber para onde irão dirigir seus interesses no campo da classe dominante. O PT foi o trampolim para a consolidação de uma nova classe dominante em conluio com frações antigas dela. PT é um partido da classe dominante. Por isso, não há revolta fomentada pelo PT contra a prisão de Lula. Lula virou um joguete. Ele está mais ou menos consciente disso. Mas acho que ele vai se foder. Não contava que fosse traído pelo próprio partido. Ele vai ser traído por todos os homens brancos da burguesia que mandam no partido dele nas oligarquias regionais que ele ajudou a montar, em esquemas asquerosos de poder e dominação. O inimigo do Lula não é o Moro, é o PT do Alckmin. É o homem branco da cúpula do PT que diz em off que prefere o Alckmin no poder, para estabilizar as coisas. É o PT que se identifica com os homens brancos do PSDB por uma questão de classe. Não há revolta popular contra a prisão do Lula, pois as cúpulas do PT, que são da burguesia, não desejam isso. Abafam a luta popular em nome do pertencimento à classe dominante do país. O Lula que se foda, é o que estão a dizer. PT é um partido controlado por homens brancos da burguesia. Homens brancos, oligarcas, racistas e capitalistas. Estou mentindo? Até o Lula confirma isso. Fazia parte da estratégia política dele. Agora, ele se fodeu. Se fodeu, pois confiou demais nesses caras. Achava que ia ser poupado. Não contou com o preconceito de classe de seus próprios dirigentes e aliados.