sábado, 19 de agosto de 2017

Quem sabe história?

Chamar os nazistas de burros, imbecis, desinformados, é a fonte de energia que alimenta o sentimento de pertença nazista. Ficam dizendo que a extrema-direita não sabe de história, mas quem é que sabe, não é? Estão reforçando a construção identitária dos 300 mil simpatizantes da extrema-direita no BR. Eles se alimentam das acusações vindas da "esquerda" que os chama de imbecis, burros, desinformados, débeis mentais etc. Esqueceram o que ocorreu no entre-guerras? Em vez de ficar mandando o outro estudar história, que tal uma releituras sobre as lutas de rua entre comunistas e nazistas na república de Weimar? Relembrar é viver! Paremos de baboseira, por favor. O caras estão adorando o crescimento da massa deles, fermentada por "nossa" ignorância da história, e não da deles, apenas.

E o problema do que seja ser esquerda continua

Não há como escapar dos pressupostos implícitos estúpidos que regem quaisquer discursos. Por mais inteligente e sofisticado que se ache, a estupidez oferece o fundamento do que se diz. Quando vejo militantes de esquerda dando uma de esclarecidos a fim de esclarecer os "burros" da extrema-direita, como os qualificam, usando dos piores clichês, supostamente superiores intelectualmente aos dos "imbecis", que nada sabem, lembro que aprendi na militância de esquerda que é importante estudar, para não ficar repetindo os discursos das cartilhas da máquina partidária, de modo cego e acrítico, e ainda se sentindo superiores. Se achar na posição de esclarecer alguém sobre a estupidez do outro, desconhecendo a própria estupidez é o pior que se pode fazer. Por isso, tento seguir a ideia de que a principal revolta é contra si mesmo. É preciso autodestruir-se, minando aqueles pressupostos implícitos que nos fazem repetidores de clichês. Afinal, todo idiota é aquele que classifica o outro de idiota. Todo clichê é aquele que classifica o clichê do outro como sendo clichê. Arrogar-se em suposto portador da episteme, sem minar suas próprias bases de preconceito, é uma piada de mau-gosto. A esquerda esclarecida, que explica para a extrema-direita como esta é burra, é realmente esclarecida? A meu ver, só em tentar esclarecer o outro, supostamente burro, tapado, desinformado, reforça a própria lógica que alimenta o credo da extrema-direita. Nada mais complementar do que a esquerda esclarecida e seu denuncismo da burrice do outro ao esquema das convicções da extrema-direita, bem como do reforço da falta de autocrítica que caracteriza a militância de esquerda no seu arrogante denuncismo. Incluso, eu, com esta postagem. E os militantes de esquerda que dizem que os "burros" da extrema-direita nada sabem sobre a Venezuela, aí, então, destilam um monte de merda ignorante sobre o que se passa na Venezuela? Pense no tanto de besteira que dizem, achando que estão sendo superiores em conhecimento acumulado sobre o que se passa na Venezuela, enquanto denunciam a falta de conhecimento dos "imbecis" que nada sabem. Com uma militância de esquerda dessas, marcada por uma mistura de arrogância e sentimento de superioridade intelectual, com baixíssimo respaldo, na verdade, reproduz-se o esquema da troca de clichês, como esquema hegemônico, que denega o pensamento crítico como base da transformação. E esta postagem é uma contradição performativa, sei, sim. Militantes de "esquerda" do Brasil, antes de ficar fazendo defesas do governo Maduro e do chavismo, deveriam escutar o que têm a dizer camaradas da esquerda na Venezuela, que não são chavistas, nem defensores do governo Maduro. São dos nossos. Parem de baboseira ao defender de longe, sem ouvir os locais, o que está se passando. É um desserviço.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Esquerda para quê?

Com uma maioria de "esquerda" tão fortemente integrada ao sistema, não há mais nem necessidade de fazer defesas ideológicas da sociedade burguesa. O serviço está feito. Num país onde a "esquerda" se tornou defensora do capitalismo social e aderiu ao liberalismo social, a tendência é a extrema-direita crescer. E nunca se faz autocrítica. Se a maioria dos que se dizem de "esquerda" não é anti-capitalista, por que ficar a favor da "esquerda"? Será que ainda não deu para entender? Se a esquerda diz que aceita o jogo, por que vai criticar o jogo? Quando a maioria da "esquerda" diz que "mercado, estado e capital" são realidades inquestionáveis, que não dá para pensar uma sociedade sem essas bases, para que serve então a esquerda desse tipo? Para fazer terapêuticas da pobreza?

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Escravos da tolice

De um lado e de outro, o que percebo é uma vontade enorme de patologizar o outro, de criminalizar o outro, de medicalizar o outro, de psiquiatrizar o outro, ou seja, de fazer exclusões relacionais com os outros, demonizando-os. Momentos péssimos para discutir, debater ou questionar. E, pouco a pouco, vamos nos tornando cada vez mais escravos da tolice. Só a fuga muda a vida!

Ser de esquerda

Ser de esquerda não é ser chavista, nem adepto do fidelismo e muito menos do stalinismo. Sou a favor da revolução cubana e contra Fidel. Sou a favor da revolução na AL e contra Chávez, Maduro e Lula. Esquerda libertária. Esquerda na luta contra o Estado do capital. E contra o autoritarismo militarista que domina o imaginário da "esquerda". Esquerda não existe para defender governos, sejam eles quais forem. Esquerda é sempre para bater duro em quaisquer governos, sejam ditos conservadores ou liberais. É o campo da esquerda como luta anti-capitalista, anti-Estado, anti-partido, anti-máquina de voto etc.

A crise brasileira bate à porta

Intenso empobrecimento dos mais pobres e das classes médias assalariadas. Aumento das desigualdades. Reforço de uma sociedade baseada num cruel sistema de opressão. Isso não vem de hoje. Mas a situação está à beira de um colapso. Os segmentos dominantes, diante da crescente falta de legitimidade no campo político, só poderão se socorrer, a fim de se proteger, com as igrejas e com seus matadores. Afinal, como irão segurar a explosão de violência que vai afetar como nunca antes a história do país? A piora das condições de vida da maioria já bateu à porta. Até quando? Aonde isso tudo vai nos levar?

A crise é a crise da esquerda

Não houve vitória da direita. Mas apenas crise da esquerda. E o que levou à crise, continua a nortear partidos e movimentos. Há uma tendência de aprofundamento da crise, portanto.