Revoltar-se contra si mesma é a tarefa permanente da esquerda radical e libertária e não ficar tomando sorvete de limão nos estabelecimentos comerciais italianos da burguesia em Fortaleza. Este blog é para criticar a nós mesmos, camaradas!
terça-feira, 19 de julho de 2016
O lucro dos canalhas
Conservadores lucram com a ordem das crueldades. Quanto mais opressão, injustiça, desigualdade, mas, principalmente, submissão, mais eles lucram. A luta por liberdade é uma luta contra quaisquer formas de subordinação, aviltamento e humilhação dos outros. É também uma luta por novas formas de existência não-fascista. O que está em jogo é muito valioso. É a nossa própria condição de pessoas desejantes livres. Chegou a hora de bater de frente e fazer esses canalhas conservadores recuarem para seus ambientes de lixo. Sigamos.
Na luta
Em termos de militância, sou do tempo que a gente passava na rua, cabeludo, barbado, sendo chamado de vagabundo, baderneiro, maconheiro, e a gente era bem minoria, e apanhava muito da polícia. Hoje estou mais cagão. Mas nem tanto. Na hora do H, a gente ainda dá uns pinotes, se for preciso.
segunda-feira, 11 de julho de 2016
O fim da democracia liberal?
A democracia liberal parece ter se tornado uma figura política do passado. Os desejos estão fortemente voltados para um tipo de socialidade que conjuga formas cada vez mais lúdicas e concupiscentes de liberalismo, onde a maioria parte da posição de competidor falho, sustentadas por arranjos de amarração autoritária do conjunto incongruente, que apenas com mão forte e não mais mão invisível pode garantir o jogo como jogo livre, ou seja, obrigatório, compulsório e compulsivo.
segunda-feira, 13 de junho de 2016
E a universidade?
Quando estudantes universitários adotam atitudes anti-intelectualistas, denunciando o mundo acadêmico como intolerável, estamos diante de um problema de dupla exclusão relacional. A exclusão realizada pelos mecanismos de fechamento do mundo acadêmico e a autoexclusão, que reconhece que esse mundo não é para "mim mesmo". Há egressos da vida universitária que possuem aversão por aquilo que não tiveram acesso, a vida acadêmica, pois esta não se confunde com o todo da experiência universitária.
Os sentimentos antiacadêmicos e anticientíficos estão cada vez mais predominantes no universo da universidade, imaginem no espaço social mais amplo. Não estou defendendo o acadêmico e o científico tais quais estão postos, dados, hegemônicos, mas apenas impressionado como práticas acadêmicas e científicas contra-hegemônicas ficam mais enfraquecidas do que já estão, já que minadas por uma descrença generalizada nesses princípios. A universidade acabará se tornando alvo de uma descrença generalizada na sua própria capacidade de se autovalidar como instituição relevante na vida social?
O vazio do poder
Na política, apenas o significante vazio, símbolos descolados, desesperadamente buscando autovalidação, que confirmam a incongruidade generalizada, numa explosão de socioletos, num profundo vazio, onde se diz que o não-ser é, uma confusão, um quiproquó, escondendo sentimentos de impotência e vazio de horizonte coletivo. Fragmentação, impotência e desrealização imaginária de fantasias de grupo. Como dizia o poeta, cada um por si e Deus contra todos. E os delírios se multiplicam, assustadoramente, pois delírios podem contribuir para gerar realidades coletivas terríveis, afinal, o real é o fluxo que aterroriza, que ameaça de morte.
Consequências dos governos do PT para o campo de esquerda
Os governos do PT prestaram um serviço de reajuste das disposições para o recrudescimento do cenário neoliberal. Foram os principais agentes de neoliberalização do contexto brasileiro. Desde a carta aos brasileiros, o governo do PT atuou como um grande dispositivo de gerenciamento de pessoas para mercados cada vez mais instáveis, incertos e inseguros. Cumpriu agenda neoliberal de políticas compensatórias de terapia da pobreza e da miséria. Reduziu a expectativa de mudança a uma questão de renda e consumo. Rebaixou em muito as expectativas do que seja qualidade de vida. Vendeu produto de baixa qualidade para rebaixar a expectativa geral. Desmobilizou, aparelhando, movimentos sociais históricos. Enfim, fez todo o serviço sujo. Agora se tornou desnecessário. Promoveu a terra arrasada no campo da luta histórica das esquerdas e se tornou desnecessário. Serão décadas e décadas de sentimento de perda coletiva, infelizmente.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
Situações complexas
Quando uma mulher no espaço público, representando o lugar público, falando em nome do público, afirma em público que é difícil lidar com as fofocas das mulheres, que conflito entre mulheres e suas fofocas é um problema, e compara mulheres trabalhadoras em situação de subordinação e precarização nas hierarquias do ambiente de trabalho com suas empregadas domésticas, com quem, afirma, sabe lidar muito bem e usa essa referência no espaço da organização como um ponto supostamente positivo, e ainda afirma que o lugar da fala pública não é de questionamento da ordem social existente, mas o lugar de fazê-la, a ordem, funcionar do jeito que está, pois nosso papel não é questionar nem tentar mudar nada, e ainda diz que uma mulher trabalhadora que sofreu assédio moral, tendo resistido como pode ao assédio, que ela não iria questionar isso, pois não desejava tirar o moral do homem supervisor, a tristeza é enorme. Realmente, uma tristeza enorme. Uma tristeza sem fim. E o silêncio é retumbante. Silêncio total. Silêncio de todos e de todas, dos agentes públicos e políticos. Aliás, não sei nem se era para eu escrever isso, pois as mulheres estão em silêncio. Por que seria um homem a quebrar o silêncio, né? Vou então calar-me sobre isso. Não falo mais. Mas hoje, falei. Sinto muito.
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