sábado, 25 de julho de 2015

Anarca

O ethos burguês é discreto, reservado, separa cuidadosamente público e privado, valoriza a arte pela arte, o dinheiro pelo dinheiro, o sucesso pelo sucesso, o poder pelo poder, o conhecimento pelo conhecimento. A gente que é proleta da base, na boa e velha luta libertária, leva uma vida escancarada, escandalosa, escarrada, punk, popular, explícita, abertamente desabusada, anarca. Os burgueses detestam. Que bom!

quarta-feira, 13 de maio de 2015

A luta continua

Governador mandou ficar em silêncio sobre amiguinhas de luta, todas em silêncio, se beijam, se abraçam e comem pizzas juntas, as meninas e os meninos de chá de camomila. E olhe que são radicais, imaginem se fossem as meninas e os meninos que comem na mão por gozo de dinheiro. A governadora manda até nas barricadas, né? Pois as meninas e os meninos continuam amiguinhos e amiguinhas se beijando e se abraçando. Ridículo! Ridículo. A esquerda ama a ex-querda, vivem juntas, o resto é só performance, e não estou falando dos partidos da burguesia "radical e socialista". Decepção total. Chá de Camomila é chupada por todas as bichinhas e os bichinhos, é? Assessores recebem abraços e beijos, então é né? Onde está a revolução? Na casa do caralho? Na boceta das vadias?

sábado, 9 de maio de 2015

Política e amizade

Indivíduos que possuem muitas amizades com militantes partidários tendem a amenizar críticas aos partidos de "esquerda", pois se autocensuram com medo de represália dos muitos amigos partidários que possuem. Dá para notar. Anarca é observadora. Assim não dá, né? Ter medo de ferir os sentimentos dos amiguinhos?

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Problema de sociabilidade

As distâncias estão aumentando. Os contatos que desconsideram poder, prestígio, estratificação e capital estão cada vez mais raros. Ou seja, a pluralidade parou de se comunicar. Ninguém mais sabe direito o que está se passando em outros lugares que não o nosso medíocre e restrito. Isso é uma derrota da democracia real.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Amor e cura?

Tenho asco de quem oferece amor e cura em público e para públicos. Que boçalidade! Que ganância travestida de astralidade! É de uma arrogância sem tamanho, alguém se considerar na posição de oferecer amor e cura e ainda divulgar isso. Coisa de gente que não presta. Só tenho ódio no coração e adoecimento de espírito, faço parte da ex-humanidade. Tento não transferi-los para os outros. Apenas expressá-los, sem realizar a comunicação fatal, mágica, da transferência. Quem possui amor e cura para transferir e quer comunicar isso, poderia apenas se expressar de modo sutil, é empresa fodida que avacalha tudo, fingindo ser o que não é. Quem tem amor e cura para oferecer, realiza-o no mais profundo silêncio e anonimato. Só assim vale.

domingo, 12 de abril de 2015

Nem bem absoluto, nem mal absoluto. Pelo fim da arrogância e da infâmia.

O primeiro sinal de insatisfação nas empresas é quando o habitual gerente e supervisor na sua vigilância continua dos processos de trabalho torna-se omisso, faz de conta que não está mais vendo a qualidade do serviço e atendimento cair, torna-se cúmplice, abdica da posição, uma forma silenciosa de protesto. Isso já está ocorrendo por toda parte.

Intelectuais e intelectuais. Entre serviçais e críticos da dominação.

Existem intelectuais que atuam como serviçais do campo do poder no anonimato. São eminências pardas. Estão lá, tentando fazer tudo funcionar no interesse da dominação. Vivem na obscuridade, nas sombras, e usufruem de vida confortável com suas famílias de modo calado, silencioso, sem modos espalhafatosos. A maioria dos intelectuais trabalha deste modo. Enquanto isso, alguns assumem a posição de palhaços do sistema, atuam abertamente, vendem a si mesmos como os calhordas, os canalhas, isso também tem uma função, uma cortina de fumaça. O fato é que a maioria dos intelectuais troca viagens, restaurantes, escolas privadas, entre outras regalias de quem é eficiente serviçal da classe dominante, por obediência operante, para colocar a inteligência a serviço do trabalho de dominação. Intelectuais, raramente, saem de posições confortáveis. Raramente, pois o conforto é a base da vida intelectual. Mas há trabalhadores e trabalhadoras intelectuais das bases, que vivemos sem esse conforto, mais próximos do precariado, pois a trajetória foi toda precariada. Pode-se adotar várias atitudes: a) disputar no mercado do prestígio as posições que remuneram os que se vendem para o andar de cima; b) um conformismo impotente raivoso que não se vende mas também não parte para cima; c) um engajamento ingênuo que põe em xeque o processo de acúmulo de capital intelectual, portanto, gera desprestígio tanto para a) como para b). d) a busca por outras alternativas. Estou nessa busca, escutando colegas e camaradas, pois essa busca tem de ser coletiva. Mas ainda não há resposta fácil.