Revoltar-se contra si mesma é a tarefa permanente da esquerda radical e libertária e não ficar tomando sorvete de limão nos estabelecimentos comerciais italianos da burguesia em Fortaleza. Este blog é para criticar a nós mesmos, camaradas!
sexta-feira, 12 de abril de 2019
Capitalizar a falta de capital
As pessoas estão se sentindo mais respaldadas pelo atual contexto em não mudar seus hábitos, em não aceitar críticas, querem permanecer nas caixinhas sem ser questionadas. A atividade da educação está sendo rejeitada pelas pessoas com baixo ou médio capital informacional, estão se protegendo usando o fato de que são representadas pelo governo federal. Já notei isso na minha experiência de sala de aula. O atual governo valida o mediano em seu orgulho de si, permite esse orgulho de si em situação de incompetência arrogante que se desconhece como incompetência. Muito crítica a situação intersubjetiva da educação no país.
Pessoas com baixíssimo capital educacional e cultural usam o estilo bem adaptado, o estilo "sou da ordem, bem adaptado" para cobrir o déficit de competências e habilidades de suas formações de baixa qualidade. Estão usando a adesão à normalidade adaptativa como recurso de sobrevivência, pois não tem outros recursos para competir no mercado altamente concorrencial. Deste modo, pessoas com baixa competência estão assumindo posições de mando e chefia em todas as organizações, começando pelo governo federal. Basta se mostrar da ordem, adaptado, que corre junto com as armas e as suas empresas, se vestir de chefe, se vestir de Deus, e vira dominante. O neoliberalismo na sua versão descamisada é uma forma de capitalizar a falta de capital para aparentar poder capitalizar o capital que não se tem, mas se deseja ter. Pessoas que ascenderam de posições excluídas para incluídos subalternos durante o grande RH dos governos petistas, hoje estão em posições que eram de seus chefes e estão muito orgulhosas, pois deram a volta por cima e desbancaram politicamente indivíduos que não teriam como desbancar na lógica concorrencial do mercado. Usam a política para defender o neoliberalismo de Estado, o neoliberalismo para inglês ver.
segunda-feira, 8 de abril de 2019
Hipóteses infernais
Por que as altas faixas de renda são as que mais aprovam o governo do destroço? São homens brancos, velhos, ricos, rentistas, patrões, que são beneficiados pela desregulamentação, entre outras características, como racistas, autoritários, defensores de um regime de morte para os que vivem escravizados por eles. Esta é minha hipótese. Posso estar enganado, cientificamente falando, mas politicamente, acho que não estou. O atual governo é um governo de exclusão aberta e deslavada. Como ainda não estouraram protestos generalizados contra isso? A Argentina, seguindo as receitais dos bancos, está na miséria. O Chile, que foi o campo de ensaio do neoliberalismo autoritário, desde 1973, gerou uma massa enorme de sofrimento social, suicídios, adoecimentos e morte, lá eles estão desfazendo o que fizeram e que é modelo para os de cá. A luta contra a governança neoliberal é literalmente contra as políticas de morte e extermínio que estão reservadas para os que são classificados pelos brancos ricos como "fracassados" e contra a pauperização crescente das classes médias, que é algo que acomete também os EUA. Precisamos minar as bases de circulação do discurso neoliberal com sua face encantatória, que seduz até o típico "fracassado", que se acha alguém de sucesso, sem ser. Não há sucesso em uma sociedade de criminosos alimentando a desigualdade. Nenhum sucesso possível. Parece que a população em geral introjetou fortemente a ideia de que miséria e pobreza são de responsabilidade individual. Ou será que não? A impressão é de que há um neoliberalismo popular muito bem irrigado pelo sistema da fé religiosa, que alimenta o imaginário do ungido de sucesso como um dos objetos de desejo mais difusos entre muitos segmentos da população. O que vai acontecer na passagem de 2019 para 2020 é imprevisível, mas pelo que observo nas ruas, conversando com as pessoas, o desespero está se generalizando, um mercado aquecido para a expansão de mais igrejas. Bancos, igrejas e milícias parecem ser um verdadeiro consórcio. Os bancos difundem a fé, as igrejas fazem a gestão dos fluxos monetários e as milícias cuidam da oferta mercadológica dos bens de salvação.
sábado, 6 de abril de 2019
Situação abissal
Não estão percebendo que o país caminha a passos largos para o abismo sem fundo? Uma geração inteira será arrastada para dentro do buraco de um esgoto clandestino. Velhos e crianças estão sendo lançados ao mar, afogados, na maior desfaçatez. Vai ser pior do que na Grécia. Vai ser uma carnificina. Já começou. As primeiras vítimas serão as mais desavisadas e as outras, as mais desinformadas. A matança já começou. A produção estatal da matança. Governo assassino. Quanto mais sem escolha se fica, mais se exige escolha livre e racional. Aumenta lógica concorrencial como critério de tudo, uma celebração da morte. Quem mais precisa de solidariedade, celebra um estilo de competição generalizada. Processo agressivo de desdemocratização. E há considerável adesão a isso. Expandir jogo do risco para produzir adesão à desigualdade como princípio. Trata-se de varrer do mapa quem está em menor vantagem para adentrar no jogo da concorrência acirrada. As apostas assim se concentram tendencialmente naqueles que possuem as melhores chances de ganhar. E estas "melhores chances" são potencializadas na medida em que se reduzem as chances dos com poucas chances. Duas jogadas de uma mesma partida cujo ganhador é de antemão aquele que abraçar com mais agressividade o princípio da desigualdade como modo normal de operação. Não tem como não explodir, a gente só não sabe como, quando e onde. Vai explodir, mas quando acontecer a repressão será inaudita, governo está atuando para provocar uma explosão que possa ser um tubo de ensaio de um processo intensivo e abrupto de estado policial, apenas uma ampla repressão policialesca a movimentos de protesto pode salvar o governo neste momento. O governo não tem outra saída, precisa de um novo 2013 para funcionar, para azeitar a máquina.
domingo, 31 de março de 2019
São bicho feroz!
Bolsonaristas com arma na mão nas redes sociais falam grosso, na sala de aula, ficam perdidos, não sabem argumentar, tentam agredir, mas agredir ao vivo é diferente de agredir na rede virtual, ficam portanto com mais raiva de si, daí apoiam o escola sem partido, querem neutralizar aquilo que não sabem fazer: pensar e argumentar. Bolsonaristas fogem do contexto de debate, só se sentem "bem" em contextos de autoritarismo, onde podem impor, serem apenas ouvidos.
O sistema da tortura foi difuso e amplo
Em 1991, eu estava numa festa particular numa casa de uma família numa favela, eu tinha sido convidado, pois era educador popular freiriano na comunidade. Por acaso, sentei ao lado de dois homens que conversando entre si, enquanto comiam e bebiam, sobre como tinham estuprado várias índias quando eram soldados do Exército na Amazônia. Que eles torturavam os homens e estupravam as mulheres. Eles contavam isso rindo, como recordação, não tinham nenhuma empatia para com as vítimas, eram homens brutais, dois homens das camadas populares, ex-soldados, isso me chocou muito. Já em 2008, em outra favela, em outra comunidade, um homem me relatou que o pai dele trabalhava para a repressão durante a ditadura e que ele levava jovens estudantes para ficarem sequestrados em sua própria casa na favela. Ele tinha uma mini-cela no quintal de casa, como uma casa de cachorro. Deixava uma ou duas pessoas lá presas. Dizia que era para evitar ter de ficar lá na carceragem da tortura, onde trabalhava, levava "trabalho" para casa. Os filhos cresceram vendo o pai torturar pessoas no quintal da própria casa na favela. Isso também me marcou muito. Isso foi em Fortaleza.
sexta-feira, 22 de março de 2019
O dia a dia do Brasil em março de 2019
Aumentou no dia a dia a quantidade de pessoas em adoecimento incapacitante. Estou preocupado demais. Mais do que o dobro, segundo minha observação direta. Notei também outras coisas. Fico impressionado como indivíduos que ganham o salário mínimo do Dieese se comportam diante da massa trabalhadora que está abaixo disso como se fossem a elite da elite global. Um bando de lascado que se fantasia de elite. Merece uma pesquisa. 2019 vai ser o empobrecimento geral, mas as pessoas ainda conseguindo esconder isso, em 2020, vai ser desesperador, quase ninguém vai conseguir esconder de si mesmo que se tornou um pobre fodido. Mas é impressionante como alguns segmentos beirando a pobreza se esforçam em manter a fachada que já não corresponde à realidade dos fatos. Chega me dá ânsias quando vejo o pobre fantasiado de elite, falando a linguagem da Globo News. Será que ninguém está com dificuldades de comprar alimentos? Está tudo uma beleza? Aqui em casa a gente está comprando a metade do que comprava. Não há mais a compra do mês. É só no miudinho. Não passamos fome, mas não há fartura e abundância de jeito nenhum. A fome não vai entrar no debate público? Aqui em casa tem goteiras nos quartos de dormir e também não há sistema de água e esgoto, a gente depende de uma cacimba e de uma fossa. A gente mora numa casa simples, na área rural. Mas pelo que vejo ninguém tem problema de moradia no Brasil, né? É todo mundo classe média de Instagram. Não vão cansar de mentir para si mesmos, não? Se a gente já está trabalhando o dobro, significa que o salário caiu pela metade, né não? Se o poder de compra caiu pela metade, significa que o dinheiro não é mais o mesmo dinheiro de antes, né não? Não entendo muito de economia, mas acho que faz sentido essa percepção de senso comum, né não? Só não faz sentido no Instagram, é claro. Lá é só riqueza, abundância, felicidade e um mundo maravilhoso a se descobrir. Que abuso estou do Instagram. As crianças de vocês não ficam pegando uma virose atrás da outra, dentre outras doenças, e exigindo gastar uma grana preta com remédio, não? Aqui em casa, cada ida à farmácia, e é sempre, dá vontade de chorar. É cada lapada. Remédios caros, qualquer besteira é 200 reais. Aí a gente vive com um monte de parcelamento de compras em cartão de crédito com farmácias, e nunca acaba. Pessoal está mentindo demais! Por que fingir que está tudo mil maravilhas, quando a merda já chegou no pescoço? O país atolado na lama, sendo afogado, e os indivíduos à beira da pobreza gastando quase todo o tempo em produzir imagem de sucesso. Ninguém faz sucesso nesta pocilga, não, pessoal! Tem como ser sucesso quando o país virou um abismo, não! Bora pras ruas protestar, bora sair do Instagram de fantasia. A fantasia faz parte da vida, mas vamos vestir nossas fantasias de luta. As de consumidor competente feliz estão estropiadas, rasgadas, já foi. Não colam mais. Pessoal está mentindo demais! Por que fingir que está tudo mil maravilhas, quando a merda já chegou no pescoço? O país atolado na lama, sendo afogado, e os indivíduos à beira da pobreza gastando quase todo o tempo em produzir imagem de sucesso. Ninguém faz sucesso nesta pocilga, não, pessoal! Tem como ser sucesso quando o país virou um abismo, não! Bora pras ruas protestar, bora sair do Instagram de fantasia. A fantasia faz parte da vida, mas vamos vestir nossas fantasias de luta. As de consumidor competente feliz estão estropiadas, rasgadas, já foi. Não colam mais.
domingo, 17 de março de 2019
A culpa é do videogame
Oito pessoas são massacradas numa escola por adolescentes bolsonaristas, que também morreram, fãs da família Bolsonaro e suas armas, e fica por isso mesmo? A gente sabe que esses massacres vão continuar. Bolsonaristas são máquinas de destruição. E o governo ainda diz que a culpa é do videogame e que se houvesse indivíduos armados na escola, isso seria a solução ideal, tanto que o senador principesco lança projeto de fábricas de armas alguns dias depois do massacre com fotos repletas de sorriso cínico e perverso no canto da boca. E todo mundo calado? A que ponto chegamos!
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