quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

O vencimento do perdedor

Lógica de mercado, forma-empresa e altíssima competitividade se tornaram bandeiras de indivíduos objetivamente pouco capazes ou quase incapazes de realizar tais práticas. Os críticos são os integrados nelas. Os deslumbrados são os excluídos delas. Quando escuto o indivíduo defendendo o capitalismo desorganizado, desse neoliberalismo pós-2008, e comparo as condições materiais de vida do sujeito com o que ele diz, é visível a discrepância, a contradição entre a retórica de defesa do "liberalismo" e do "capitalismo" e as condições deploráveis do próprio sujeito, em geral, marcadas por baixíssimo capital educacional, a base do capital humano. Indivíduo excluído do jogo com retóricas de elogio ao jogo que o exclui. Triste demais. A autoexclusão acompanhada de retóricas do "vencedor" na voz do "perdedor" é a faceta subjetiva mais cruel do mundo contemporâneo.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

A autoexclusão elogiosa do perdedor como um vencedor

Lógica de mercado, forma-empresa e altíssima competitividade se tornaram bandeiras de indivíduos objetivamente pouco capazes ou quase incapazes de realizar tais práticas. Os críticos são os integrados nelas. Os deslumbrados são os excluídos delas. Quando escuto o indivíduo defendendo o capitalismo desorganizado, desse neoliberalismo pós-2008, e comparo as condições materiais de vida do sujeito com o que ele diz, é visível a discrepância, a contradição entre a retórica de defesa do "liberalismo" e do "capitalismo" e as condições deploráveis do próprio sujeito, em geral, marcadas por baixíssimo capital educacional, a base do capital humano. Indivíduo excluído do jogo com retóricas de elogio ao jogo que o exclui. Triste demais. A autoexclusão acompanhada de retóricas do "vencedor" na voz do "perdedor" é a faceta subjetiva mais cruel do mundo contemporâneo.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

É caro viver na legalidade

Viver na legalidade é muito caro. Estatisticamente, poucos podem. E dos que podem, muitos optam por não fazê-lo. Principalmente, os muito ricos. Pagar para estar no padrão legal de vida é impossível para a grande maioria. Se a grande maioria não tem como viver na estrita legalidade (moradia, saúde, educação etc), usa em geral acessos não legais ou públicos (legais mas precarizados), como é o caso da moradia e da saúde, respectivamente, por que há uma fixação tão grande com a questão do choque de ordem? Quem não pode pagar por serviços, pede choque de ordem liberal, é um lance que ainda não consegui entender. O sujeito não pode pagar e defende a privatização de tudo. Mas não pode pagar nada. Estamos falando de mais de 70% da população, no mínimo. Aliás, quem pode pagar mesmo não passa de 5% da população. Talvez, uns 12% ainda possam com alguma dificuldade. Como que uma população de pobres e miseráveis, incluindo uma tal de "classe C", que pensa como rico, está pedindo lógica de mercado, forma-empresa e alta competitividade? Não casa uma coisa com a outra. Não combina. Há uma discordância muito grande entre a forma de pensar e a realidade dos fatos.

A maldita Classe C

Viver na legalidade é muito caro. Estatisticamente, poucos podem. E dos que podem, muitos optam por não fazê-lo. Principalmente, os muito ricos. Pagar para estar no padrão legal de vida é impossível para a grande maioria. Se a grande maioria não tem como viver na estrita legalidade (moradia, saúde, educação etc), usa em geral acessos não legais ou público (legais mas precarizados), como é o caso da moradia e da saúde, respectivamente, por que há uma fixação tão grande com a questão do choque de ordem? Quem não pode pagar por serviços, pede choque de ordem liberal, é um lance que ainda não consegui entender. O sujeito não pode pagar e defende a privatização de tudo. Mas não pode pagar nada. Estamos falando de mais de 70% da população, no mínimo. Aliás, quem pode pagar mesmo não passa de 5% da população. Talvez, uns 12% ainda possam com alguma dificuldade. Como que uma população de pobres e miseráveis, incluindo uma tal de "classe C", que pensa como rico, está pedindo lógica de mercado, forma-empresa e alta competitividade? Não casa uma coisa com a outra. Não combina. Há uma discordância muito grande entre a forma de pensar e a realidade dos fatos.

O eu é um outro

A única consciência radical que me interessa é aquela com que se atesta a própria insuficiência. Não há radicalidade maior do que a recusa de si mesmo, de se identificar a si mesmo. É preciso se divorciar do amor-próprio que está na base da indiferença diante da dor dos outros. Esse amor-próprio virou fonte de destruição em sua demanda de excepcionalidade, pois "...para poder se aceitar nos outros (...), é preciso antes recusar-se em si mesmo" (Lévi-Strauss, expressando um princípio descoberto por Jean-Jacques Rousseau).

O que dizer?

Não sei mais o que dizer. Estão conseguindo nos silenciar ou é preciso reaprender a dizer as coisas? Estou em dúvida. Está tudo muito tosco. As fantasias coletivas de melhorar as coisas sem mudar as condições brutais de existência parecem não mais nos convencer. Fantasias rasgadas, sonhos truncados. O BR parece ter abandonado seu processo de construção de nação. A dimensão tosca e violenta da colonialidade retornou como princípio dominante da ação. Talvez não tenha jamais desaparecido, apenas tenha ficado implícito. Mascarado por nossas mascaradas. Não sei mais o que pensar. Tudo parece ser um lugar-comum. As palavras parecem inócuas num mundo armado de ignorância e perversidade.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Observações sobre o Brasil em 2018

Os tipos são hiperpunitivistas contra os outros socialmente fracos e altamente permissivos e condescendentes para com os seus socialmente fortes. E são o governo. Combatentes cruzados de qualquer corrupção, agora desculpam corrupções pelo seu valor irrisório. São as pessoas de bem em ação. Perigosíssimos. E há outro detalhe importante no atual contexto. O bolsonarismo é muito semelhante ao lulo-petismo. São fortemente coetâneos. Se copiam nas táticas de manipulação. Usam uma mesma linguagem. Os mesmos socioletos. As mudanças invertidas de conteúdos são o despiste disso. Lula e Bolsonaro aprisionam a imaginação política brasileira. São reacionários. Minam as bases para ações que criem novos contextos e novas regras.