quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Anti-intelectualismo

Durante anos, correntes de opinião dentro da universidade pública desvalorizavam a dedicação ao estudo e à pesquisa como produtivismo, academicismo, montavam barreiras anti-intelectualistas dentro da própria universidade. Agora, o Ministro da Educação, o novo, o neofascista, vem a público dizer que realmente a universidade não é para ser democratizada, que ela deve ser apenas para alguns, para poucos, apenas para os que pretendem se dedicar aos estudos e à pesquisa com produtivismo e academicismo. É a cobra engolindo o próprio rabo. Um querido colega meu já tinha escrito várias postagens analisando essa contradição, apenas retomo aqui a lembrança, a partir do que mostrara Pablo. O discurso anti-estudo vai ser demitido. É assim que a direita constrói a ideologia da competência e da meritocracia, com seus muito colaboradores, incluindo os que não se dizem de direita. Contradição muita é pouca.

Escola sem partido

O que mais me desagrada no Escola Sem Partido é que seus defensores em geral não sabem argumentar, trocar ideias, elaborar pensamentos, e se sentem diminuídos por isso, daí, tanta raiva. Me desagrada que também sejam classificados como burros, idiotas, tacanhos, estúpidos, alienados, pois é isso o que alimenta a divisão. Atuam em sala de aula como um vírus. Tentam boicotar o processo do qual se sentem excluídos. O Escola Sem Partido é um pedido de socorro. É fundamentado num desejo de ser incluído no campo do saber e do conhecimento. Mas, ao mesmo tempo, é uma raiva agressiva contra esse campo que funciona de modo excludente. A pessoa ressentida, que se sente humilhada, excluída, tende a perceber os incluídos como arrogantes, como detentores de uma superioridade intelectual e moral insuportavelmente tirana. É a relação entre vergonha e orgulho que me parece a chave de leitura para esse conflito. O campo do saber e do conhecimento é uma fonte de orgulho. Ou seja, gera distinção. Estar fora desse jogo é ser obrigado a viver na vergonha. Até que o oprimido pela vergonha resolve transformar em ódio contra o orgulho do incluído o seu ressentimento.

Una cosa de loco!

Os segmentos de altíssimo poder social, político e econômico cada vez mais fazem discursos públicos de defesa do seu autointeresse, e ponto final, fim de conversa. Fazem ameaças dobradas a qualquer outro segmento que os ameace em pensamento. Se tornaram altamente agressivos e brutais na defesa de seus privilégios. Enquanto isso, uma massa de destituídos, de baixíssimo capital humano, para usar a linguagem dos poderosos, se congratula de modo projetivo, desejante, nas figuras desses poderosos que se autodefendem. Quem não tem poder de se defender, admira a capacidade de autodefesa do muito poderoso. Que coisa mais louca, não? Um desafio para a análise.

À flor da pele

Quer dizer então que o Bolsonaro é o presidente das quebradas, né? Um monte de homem de quebrada falando de ter respeito, ter dinheiro, ter mulher, balada, de ter as bunda das gostosa, dos carrão e tudo Bolsonaro. Tem uns que são de Jesus também. Que agora estão no caminho de deus. Que leva umas vidas na traição, no desejo escondido do proibido e escondendo o serviço sujo para debaixo do tapete, vivem na exacerbação da ambição que é preciso ter igreja para o crime não voltar à flor da pele. Agora, né? Mas nóis sabe, nóis sabe. O pessoal do bem é do bem!!!! Que coisa, hein? Aí os coroa rico branco racista também são Bolsonaro e do bem, do bem. Vamos fazer um encontro deles que se amam? A favela bolsonarista com o bairro nobre bolsonarista. Se merecem? Se amam! Tô ligado. Ligadíssimo. Quem se desautoriza num sou eu, brodinho. Sigo na manada. Vai lá, maninho, pega na mão de Deus!

domingo, 30 de setembro de 2018

As mulheres e a revolução democrática no Brasil

Mulheres liderando revolução democrática. Nenhuma instituição é capaz de representar a democracia. A democracia é a luta real das pessoas e dos seus coletivos por democracia. As eleições também não esgotam a democracia. A gestão pública também não deve ser confundida com a democracia. E nunca mais cairemos no engodo de achar que um governo eleito pelo "povo", seja ele qual for (o governo ou o povo), é o representante da democracia brasileira. Acho que esse erro a gente não comete mais. A democracia é o movimento de luta basilar por democracia real. A transformação se faz pela base, desde baixo, contra os de cima, a transformação é contra a representação política do sistema de dominação, contra a "governabilidade" ou contra "a ditadura", seja de que tipo for. É o que move a luta por democracia, não achar que o Estado é Democrático de Direito, nunca vai ser. Pode ser no máximo Estado de Direito sob pressão da luta democrática popular. E mesmo assim a fonte estatal não esgota o direito, nem o garante, pois a luta pelo direito é uma luta contra o autoritarismo de qualquer instância que se coloque como fonte única do direito. A pluralidade é a lei da terra, como dizia Hannah Arendt. O dia de ontem foi de revolução democrática. Uma ideia que a maioria de nós achava que tinha morrido. Para a gente ver como o futuro é indeterminado, está em aberto. Outro mundo é possível.

sábado, 1 de setembro de 2018

Conjuntura eleitoral de 2018

Se política for criação e experimentação de novas regras e novos contextos, o atual momento eleitoral é anti-político por excelência. É a negação da política como capacidade de fazer surgir o novo. Em defesa do indefensável, vejo discursos circulando, acusando os críticos da aliança PT-MDB como sendo puristas. Essa acusação que desqualifica a crítica de esquerda não oficial como purista é feita em nome de quê? Em nome da governabilidade? Gente, Lula está é preso por causa da governabilidade. Não somos puristas nem moralistas, mas realistas, PT com MDB é uma furada, e é isso que está aí nas eleições se dizendo de esquerda. Haddad com Eunício para salvar a democracia contra o golpe? Não dá. Prefiro ser acusado de purista do que ser aliado dos golpistas. Nenhum voto em golpista, nem em que se alia com golpista, nem quem faz campanha baseado na salvação e mistificação de quem se alia com golpista. Ou seja, nem um voto. Lascou. É de lascar o cano. Que situação braba! Até quando a gente quer ser reformista eleitoral, o pessoal capricha para não dar certo. Mudança desde baixo e contra os de cima não passa pela subalternidade aos de cima. Beco sem saída? A poucos dias para as eleições presidenciais e descobrimos, estarrecidos, que a esquerda eleitoral é a melhor amiga da direita eleitoral. Se complementam. Andam abraçados à revelia dos problemas e desafios da democracia real. Só pensam em seus cargos e máquinas e projetos de poder. Não há compromisso histórico com a mudança real das condições de vida da população. No máximo, se aferram às terapias da pobreza e apresentam as políticas compensatórias recomendadas pelo Banco Mundial como se fossem o "compromisso" com a "revolução". Nada mais falso. E ainda usam "fakenews" sobre a diminuição das desigualdades, só que acusam a direita eleitoral de usar esses fakenews. A gente observa tudo isso com uma dor no peito. Uma mistura de revolta e sentimento de impotência, o que não é nada bom.

Em tempos eleitorais...

São dogmáticos, acreditam piamente que estão certos e que todos os que os criticam estão errados. Acham que fizeram maravilhas e foram retirados do poder, tendo feito maravilhas. Acreditam que serão os vencedores da história. Fazem qualquer jogo para isso. Topam tudo por poder. Viraram máquinas de poder. Usam dinheiro a rodo de capitalistas para expandir campanhas como se elas fossem espontâneas, como se não houvesse investimentos altíssimos de máquinas profissionais de clientelismo eleitoral, como se isso fosse coisa do adversário. Dizem que não precisam de mobilizar forças de contestação, pois já possuem todas as forças de contestação necessária ao embate. São profissionais. São remunerados. Visam cargos e assessorias. Quem é, quem é?