sábado, 14 de abril de 2018

Isto não é um cachimbo. O esfumaçamento da esquerda.

A esquerda eleitoral é o PMDB. É o que fica implícito. Nas próximas eleições, vou seguir o conselho do PSOL e não vou votar mais no PSOL, mas sim no PT. É a hora da união! (isto não é um cachimbo). O autoritarismo tomou de conta . Ditadura já foi implantada. O que vamos fazer? Disputa eleitoral? Abraçar o Lula e dizer que é pela democracia? Acho que estamos no fim do poço. E sem respostas de luta à altura. Luta desde baixo e contra os de cima. O preço pode ser alto, já está sendo. Não convence. A vigilância já está no encalço. Por toda parte. Estou vendo a hora começar todo mundo ser preso. Muitas vezes, a gente super estima a inteligência dos dominantes. Conseguiram unir o que estava totalmente fragmentado. Conseguiram refundar o PT. São uns imbecis. E agora que a esquerda eleitoral está forte e unida, 1980 voltou. Lula lá, brilha uma estrela, Lula lá, é de esperança... Efeitos inesperados para ações estúpidas. Em 1989, a gente saía na rua com uma camiseta do Lula e enquanto se caminhava pela rua se ouvia os gritos vindo dos automóveis dos ricos: baderneiro, vagabundo, maconheiro, viado. Era assim. A gente dava um cotoco e eles por vezes mostravam as armas de retorno.

Entre golpes

Se a Lava Jato não fosse seletiva, desmontava o próprio Estado. O golpe de estado é o modo "normal" de funcionamento do Estado.

A ordem cínica do fim da classe média

Do mesmo modo que os membros da oligarquia protegem os filhos uns dos outros, num sistema de transferência hereditária de altas posições, os membros das classes médias recorrem à proteção das oligarquias, colocando-se em posição de subalternidade perante elas, a fim de reforçar mecanismos que impeçam processos de ascensão de novas classes médias, que, por sua vez, possam entrar em processos de luta concorrencial com os já estabelecidos, rebaixando o preço dos diplomas e credenciais da condição subalterna. O desejo de ampliação da classe média num momento de declínio da classe média no plano global, puxado pelos EUA, disparou processos políticos de restrição às condições de acesso às classes médias, notadamente, o acesso a bens informacionais. De modo cínico, as classes médias estabelecidas há mais tempo, ameaçadas pelo declínio geral, estão usando contra o desejo de classe média dos segmentos da classe trabalhadora o recurso do "prenda-me se for capaz", "siga-me se for capaz". O sistema da meritocracia não é apenas uma ideologia, é também um dispositivo de hierarquização das condições subalternas intermediárias face à estrutura oligárquica do mando. As classes trabalhadoras, pelo menos aqueles segmentos que puderam sonhar com desejos de classe média, caíram numa armadilha. Só descobriram agora que o processo era de integração perversa no sistema de meritocracia. E a maioria ainda nem descobriu, continua pensando como classe média enquanto é massacrado justamente por isso. O choque de ordem do liberalismo do capitalismo de Estado contra o liberalismo social do capitalismo de Estado é a ordem do dia. Quem vai ser empregado de quem? Esta é a questão.

A esquerda é o PMDB

A base da esquerda eleitoral é a governabilidade garantida pelo PMDB. Não há frente única de esquerda eleitoral sem essa costura. Antes de ser preso, Lula, PT e PMDB estavam fechando alianças eleitorais em vários estados. Abraçar uma frente única eleitoral seria dar continuidade ou não ao esforço de Lula. Se a resposta for não, o trabalho é inútil. De um jeito ou de outro, esquerda eleitoral voltada para executivo virou pó. A ironia da história: PSOL nos manda votar no PT e PT nos coloca nos braços do PMDB.

Recusa ativa do mando futuro

Faço questão de perder as oportunidades que são oferecidas, pois estas, em geral, estão inseridas num arranjo que envolve aceitação da subalternidade no sistema para lutar de modo concorrencial pelo lugar de mando, no futuro, que está ocupado por quem gera atualmente a oportunidade no presente. Ao recusar as oportunidades, a gente se isola, perde posições, e ganha em autonomia relativa. Mas não é automático esse processo de ganho de autonomia relativa, pois não há saída no isolamento. O isolamento é a recusa da troca, da economia de trocas, mas não é garantia suficiente da independência de pensamento. A liberdade é uma conquista. E é uma luta coletiva contra os arranjos de subalternização. A recusa do subalterno em se tornar uma subalternidade subjetivamente motivada para um processo de ascensão, a fim de subalternizar os recém chegados no esquema, é o sentido da própria vida. Vida é recusa da adaptação e da integração em esquemas que negam a vida em nome da "vida" (uma hipostasia da vida burguesa).

Pós-boululismo

E o que dizer do Boulos a assumir o discurso clássico da Social Democracia nessa altura do campeonato? Depois acusam a direita de não entender de história. Boulos está defendendo o que PT e PSDB defenderam quando foram fundados. Que desserviço! Que falta de massa crítica. Sinto muito, mas essa esquerda eleitoral do Boulos está mais perdida do que cego em tiroteio. Ninguém sabe, ninguém viu. Não analisam sequer o que está se passando no capitalismo mundial contemporâneo. Vivem de discursos fáceis. Eleitorais e oportunistas. E também autoritários. Ou foi um show de democracia a ascensão do Boulos lulista no PSOL? Até a militância do PT já fala em pós-lulismo, aí vem o Boulos para refundar o lulismo. Precisamos de uma esquerda pós-Boulos! Pelo pós-boululismo.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

A situação engrossou

Quando PSDB e PT se tornaram cúmplices do sistema de corrupção, clientelismo e conciliação pelo alto, abriram o espaço para o golpe, tornaram factível o fim da Nova República e o abandono da constituição cidadã a sua própria sorte. Poderia ter sido diferente? Não sei. Mas agora as consequências são terríveis, pois a democracia liberal volta a se dissociar do capitalismo. E a democracia social se torna a porta de entrada do fascismo. O modelo autocrático da empresa retoma seus processos internos de militarização num sentido novamente expansionista. Empresa-militar em rede com bases em massas racistas, fascistas e ultra fóbicas. O liberalismo vira totalitarismo. O direito vira vingança. O estado vira pura polícia. A cultura vira igreja. E a mercadoria continua mercadoria em expansão. O teatro cívico não vai colar, não tem lastro moral entre as bases da população. Até o apoiador "cívico" virou polícia. Só a luta antifa, como fator de multiplicação da resistência, poderá, talvez, movimentar algo, e olhe lá. Mas o pau vai comer.