Revoltar-se contra si mesma é a tarefa permanente da esquerda radical e libertária e não ficar tomando sorvete de limão nos estabelecimentos comerciais italianos da burguesia em Fortaleza. Este blog é para criticar a nós mesmos, camaradas!
quinta-feira, 12 de abril de 2018
Silêncio como função da ordem
O silêncio é uma função da ordem. Desejo autoritário de silenciar os outros é intolerável. Inaceitável. O desejo do desejo da Ordem é um desejo de morte, de nada, de aniquilação de si. A liberdade é uma conquista. É uma luta que se faz com o desejo livre para falar de modo livre contra a ordem existente. O pensamento é uma atividade contra a ordem, contra o existente que é imposto como único e possível existente. O existente é o que precisa ser negado. Nada de adaptação e integração ao existente. O desejo de adaptação e integração por parte do subalterno resulta em mais subalternidade. A luta é contra a subalternidade. Uma luta contra o sistema de dominação. Uma luta contra as desigualdades de capital, sentido e poder que restringem de modo estrutural o campo das realizações de sentido e valor. A linha de fala livre é a linha de fala do desejo contra as forças intoleráveis do Abuso, do Arbítrio e da Tirania do Estado do Capital.
segunda-feira, 9 de abril de 2018
A paz dos cemitérios?
As frações da classe dominante que estão liderando o golpe estão recusando a postura conciliadora da maioria esmagadora da esquerda brasileira? Isso quer dizer o quê? Eles desejam uma esquerda não conciliadora? Será? O desejo de conciliação entre senhores e escravos é o princípio da unificação da esquerda brasileira. Isso é fato. Afinal, quem é "o doido" de querer entrar para esquerda não conciliadora, é só pau, pedra e cemitério clandestino, né? O problema é que os senhores dos escravos estão negando o desejo de conciliação do escravo, dando as costas ao desejo do escravo pelo senhor, aí o bicho pegou. Virou um impasse. A esquerda quer paz e amor com os dominantes e os dominantes estão pouco se lixando para esse desejo de conciliação. A esquerda oficial tentará então com amplo apoio mais uma vez realizar o teatro da conciliação nas eleições, vamos ver no que vai dar. O problema sério é que os dominantes e suas bases amplas estão se mostrando intransigentes. Não querem mais conciliar. Impasse total.
quarta-feira, 4 de abril de 2018
Quem está no poder?
Peguem os nomes dos professores das federais que estão assinando os documentos oficiais do governo Temer, vasculhem, que vão descobrir que muitos lulistas e dilmistas estão colaborando ativamente no segundo e terceiro escalão do governo golpista. Estão lá assinando tudo, legitimando, como especialistas disso ou daquilo. Por que não boicotaram o governo golpista? A questão que não quer calar. Quando um colega dilmista ou lulista diz que está atuando oficialmente, colaborando com governo Temer, pois se ele ou ela não estivesse lá as coisas iam ser bem piores para o povo, fico com náuseas. Ainda se pintam de heróis! Estamos lá para salvar o povo. Aí nas redes sociais postam Fora Temer, contra o golpe, etc. E na prática, assinam documentos oficiais do governo Temer e ganham com isso (poder, sucesso, dinheiro). E ainda tem o PSOL para abraçar PT e PMDB se aliando no país para próximas eleições. Mas é em nome da democracia contra o fascismo, né?
Vão prender o Lula?
Essa estratégia do "somos todos Lula" foi a coisa mais desastrosa que se podia ter para o campo das esquerdas não eleitorais e não oficiais. Enterrou a luta das ruas. Instaurou palanques para lá de duvidosos. Será deserto por mais tempo, infelizmente. Os caras vivem de eleições e tentam mascarar isso , mas não convencem ninguém. O abraço do PSOL ao PT e PC do B enterrou a gente vivo. Esse abraço vai custar caríssimo. E todo mundo vai pagar essa conta. PSDB, PT e PMDB se tornam cúmplices, brigam e a gente abraça um deles, dizendo que é do povo, que é o da democracia. Fudeu. O oportunismo eleitoral do PSOL na tem limites? Se Lula tivesse sem capital eleitoral, estaria sendo abraçado ou apedrejado? Essa tentativa de herdar capital eleitoral do lulismo foi um dos lances mais desonestos que já presenciei. Associar na grande mídia o lulismo à democracia contra o fascismo foi o fim da picada. Minou a luta por democracia real.
quinta-feira, 8 de março de 2018
Princípio de realidade do mundo flexível
No mundo contemporâneo, todas as formas de conselho dizem implicitamente: foda-se você mesmo, não espere que os outros fodam você. Ou então, foda-se você mesmo de modo criativo, não se foda do mesmo modo que a maioria, seja criativo no modo de se foder, seja esperto, foda-se com prioridade. Imaginem hoje a situação das pessoas que investiram todas as suas fichas em políticas de governo que se tornaram descartáveis e circunstanciais. Imaginem essa situação drástica, a de ter confundido atividades subvencionadas por governos com a própria realidade tendencial da economia. Ter esquecido que tudo não passava de atividade induzida artificialmente, inclusive, a ascensão de uma "nova classe média", esse bordão assassino. Ele causou a morte social de muita gente. Uma crença infeliz difundida com interesses de exercício do poder. Levou a uma fragmentação sem precedentes da vida social. Efeito e causa, de modo circular, é claro. As classes médias se pensam como famílias inseridas numa competição, mobilizando seus recursos, para garantir posição a seus rebentos pela transmissão de capital educacional. Quando se prometeu "nova classe média" para todos, a condição tinha de ser arrebentar a tendência coletivista das classes populares. A fragmentação da "luta", a neutralização da "luta", sem isso não havia como prometer "nova classe média". O golpe é um efeito político dessa jogada de poder que esvaziou a capacidade coletiva de resistência dos movimentos sociais. Efeito de governos que quebraram a espinha dorsal da ação coletiva popular de contestação e luta por democracia real. O golpe conservador é efeito de outro golpe conservador. Sendo que um foi em nome do liberalismo social e o outro em nome do modelo abertamente autoritário.
quarta-feira, 7 de março de 2018
Golpe de Estado e disciplina sobre o Golpe.
O golpe de estado é o modus operandi do Estado moderno. Sou a favor de uma disciplina sobre o golpe de 2013 contra os movimentos de contestação pela criminalização das oposições radicais, o golpe de 2015 contra o social e pelo neoliberalismo conservador dos cortes da Dilma e o golpe de 2016 contra o retorno eleitoral dos golpistas anteriores, ex-aliados em briga, devido a uma capitulação da Nova República, que envolve a adesão ativa e planejada de PSDB, PT e PMDB ao sistema de corrupção, clientelismo e conciliação pelo alto, para evitar participação desde baixo na mudança das estruturas de dominação capitalista. A disciplina tinha que se chamar: Golpes recentes contra a emancipação das classes populares (2013 a 2016).
domingo, 4 de março de 2018
Individualismo sindical
Quando a pauta economicista do liberalismo social se tornou a agenda da esquerda sindical na década de 1960 na Europa e no Brasil em 1970-80 com a criação da CUT, sob a influência do sindicalismo neoliberal alemão, a luta se tornou concorrencial e individualista, portanto, reconhecendo os princípios da economia das trocas como "universal". A fragmentação e o fim da própria esquerda foi o resultado. Foi uma auto-implosão. A crise do capitalismo desorganizado é uma crise da esquerda.
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